segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Aula de Química

5 comentários
Antoine-Laurent de Lavoisier era, assim como eu, formado em Direito. Entretanto, não foi através do estudo das leis que ele entrou para a história. Lavoisier é o pai da Química moderna.

Foi ele o descobridor do caráter composto da água (dois átomos de hidrogênio e um de oxigêncio). Para todos aqueles que já passaram pelo ensino fundamental, tudo isso pode parecer meio banal. Mas é importante lembrar que, até então, a água era tida como um elemento uno e indivisível, como havia proposto Aristóteles quase 2.000 anos antes.

Lavoisier foi o primeiro cientista a anunciar um hoje famoso postulado de que na naureza "nada se perde, nada se cria, tudo se transforma".

Revolucionário. Quer dizer que o fogo não consome os materiais? É, é exatamente isso que quer dizer e não era o que se pensava ordinariamente à época. O fogo é uma violenta oxidação que não destrói nada, mas apenas transforma os materiais envolvidos em calor, gases e cinzas, bem genericamente falando.

Pois bem. Lembrei do Lavoisier ao assistir, confesso, um trecho do Domingão do Faustão neste último domingo (13). Algum desavisado que tenha assistido ao programa pode ter sido surpreendido com o elevado nível de cultura, discernimento e senso de justiça do seu apresentador. Entre o sofrível e embaraçoso Se vira nos 30 e as perenes Videocassetadas, o anúncio comercial da Claro obrigou o Faustão a (re)produzir a seguinte frase:

- Mais do que nunca, é a gloriosa Claro demonstrando que igualdade é tratar igualmente os iguais e desigualmente os desguais.

O contexto era o seguinte: a Claro possui uma promoção na qual o cliente escolhe os detalhes do seu plano. Assim, situações desiguais seria tratadas desigualmente, de modo que a justiça seria garantida.

Que sabedoria, hein?! É bem simples concluir que tratar igualmente os iguais é o justo. Agora, estabelecer que a igualdade também é tratar desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualem, não é algo com a profundidade comum encontrada nos domingos à tarde na TV aberta.

Como os leitores devem ter concluído, isso não saiu da cabeça do Faustão. Mas também não é fruto da mente de algum publicitário com a inteligência iluminada.

Eu ouvi essa frase pela primeira vez - assim, completinha - em uma das primeiras aulas de Direito Constitucional a que assisti. O prof. utilizou tal frase para ilustrar o alcance do princípio da igualdade, consagrado na Constituição brasileira. O impacto nos estudantes foi grande - inclusive em mim.

Entretanto, também não foi o meu professor o autor da frase (muito embora, fica o registro, capacidade para tanto não lhe faltasse). E ele esqueceu de fazer justiça ao verdadeiro autor, pois não citou a fonte. Uns dois anos depois, aí sim, li que o autor seria o jurista brasileiro Ruy Barbosa. Parecia verossímil, pois Ruy Barbosa foi uma figura muito importante na história brasileira do século XX. Além do mais, era político, diplomata, filólogo, escritor, tradutor, orador...

Era isso! O professor de constitucional havia lido alguma obra do Ruy Barbosa e repassou-nos o ensinamento sem louvar o verdadeiro autor. Mas não. Ainda depois, vim a ler que, na verdade, a origem era a obra Política, de Aristóteles. Ou seja: também o Ruy Barbosa não citava suas fontes! E ainda corro o risco de descobrir que o Aristóteles tenha copiado de algum outro lugar!

Esse copia-e-cola dos autores me fez lembrar, então, do Lavoisier. Assim como na Química, no mundo cultural (quase) nada se cria, tudo se transforma! Nas novelas é a mesma coisa: salvo exceções, todas as novelas são releituras de romances de José de Alencar, de peças de William Shakespeare e das tragédias clássicas gregas. - quem leu Senhora já viu quase todas as novelas da 8! Mas esse assunto fica para outro post.



segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Novos horizontes

3 comentários
Quem já assistiu "Shrek" ou "Wall-e" sabe do que eu estou falando. Há filmes oficialmente infantis que tem mais a dizer do que uma grande parte dos filmes adultos. "Shrek" consegue ser muito mais engraçado do que uma boa parte das comédias adultas que assisti desde então - com algumas piadas sutis destinadas somente ao público adulto, inclusive. "Wall-e" tem seus momentos de risada também, mas se destaca pelo seu lado artístico.

"Horton e o mundo dos quem" talvez seja o maior exemplo disso. É uma animação - logo, tem como público alvo o infantil. Entretanto, prestemos atenção à história. Horton é um elefante que vivia sua vida de elefante sem maiores acontecimentos até o dia em que ouve um grão de pólen falar e passa a conversar com ele. Descobre, assim, que há dentro do grãozinho toda uma civilização habitada por seres minúsculos, os "quem". Horton, então, passa a protegê-los.

O comportamente de Horton não é bem visto pelos seus colegas de selva, que não gostam da ideia de que a alguém seja possível ouvir algo que nenhum outro possa ver ou tocar. Horton é profundamente ridicularizado por isso e, em seguida, é preso pelos outros animais por acreditar em algo que não se pode ver, sendo condenado à morte em um caldeirão de óleo fervente! Para se salvar, Horton implora aos "quem" para que gritem o mais alto que puderem, de modo que os outros animais os ouçam e acreditem em Horton - caso contrário, toda a sua civilização no grãozinho será consumida no óleo quente juntamente com o próprio Horton.

É interessante o que se passa na terra dos "quem". Ninguém vê ou ouve Horton, exceto o prefeito, que pode ouvi-lo através de seu encanamento. Ao receber o pedido de socorro, o prefeito trata de mobilizar a sociedade dos "quem" para gritar bem alto e ao mesmo tempo. Após uma forte resistência inicial, o prefeito consegue fazer com que todos gritem, exceto um "quem", que acha tudo meio ridículo e se nega a acreditar no que não vê. Assim, o som do grito não chega até os animais que vivem com Horton, que está prestes a morrer e a ver seu grãozinho consumido no óleo quente. Por fim, o último "quem" se convence, grita e todos são salvos. Na última cena, a câmera começa no mundo dos "quem" e vai se afastando até que possamos ver o grãozinho de Horton. Mas não para por aí. A câmera se afasta ainda mais, até mostrar o que o próprio mundo de Horton não é mais do que um outro grãozinho de pó num universo ainda maior!

O que aprendemos? A experiência de ler um livro ou assistir a um filme é muito pessoal, assim fica difícil dizer. Eu pude tirar duas grandes ideias do filme (que, descobri ao pesquisar para este post, é baseado em um conto de 1954 de autoria de Dr. Seuss):

1° - não podemos ter uma crença cega nos nossos sentidos. Pode haver mais, muito mais no universo além do que podemos ver, tocar, cheirar, lamber ou ouvir! Um exemplo pode clarear o que eu quero dizer: todos sabem que existem ondas de rádio e campos magnéticos, não? Afinal, podemos sintonizar o rádio e ouvir música, assim como vemos os ímãs grudados na geladeira. entretanto, ninguém vê uma onda de rádio ou um campo magnético. O que vemos são seus efeitos sobre alguma coisa capaz de estimular nossos sentidos - no caso, podemos ouvir a música no rádio e ver o ímã grudado na porta da geladeira. As abelhas, por exemplo, podem ver luz ultravioleta, coisa que não conseguimos fazer. Os cachorros ouvem sons que nós não ouvimos (uma frequência de ultrassom). Nem por isso podemos afirmar que a luz ultravioleta e o ultrassom não existem!

2° - uma única pessoa faz diferença. Um voto, uma manifestação, uma crítica, um abraço, um blog - tudo isso é capaz de mudar o mundo. Se o último "quem" não tivesse gritado, de nada bastaria o esforço de todos os outros.

A temática do primeiro ponto que eu destaquei está presente ao longo de todo o conto protagonizado pelo alienígena que dá nome a este blog. Sim, pois Micrômegas tinha cerca de 1.000 sentidos e era um gigante de 8 léguas de altura e, mesmo assim, sua existência era absolutamente ignorada pelos homens.

O conto do Voltaire é assumidamente inspirado em "As viagens de Gulliver", romance satírico de Jonathan Swift. Gulliver era um homem normal que, após um naufrágio, visita várias ilhas tentando retornar para casa. Sucedeu que na primeira ilha os homens eram pequeníssimos e tinham Gulliver por um gigante. Na segunda ilha, os habitantes eram gigantes, de modo que julgaram ser Gulliver um anão. Na quarta e última ilha Gulliver conhece os Houyhnhm, cavalos dotados de inteligência que utilizavam os Yahoo para trabalhos brutos - Yahoos esses que vinham a ser os seres humanos. Embora eu não possa provar nem citar qualquer fonte, tenho a impressão de que "Horton e o mundo dos quem" também se inspirou fortemente em "As viagens de Gulliver" - que, mesmo sendo um livro escrito para adultos, foi recebido pelo mundo como um livro infantil (a prova maior disso é que "Gulliver" é marca de brinquedos!).

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Não precisamos acreditar em fadas, duendes, extraterrestres, anjos, fantasmas, seres sobrenaturais e em um velhinho barbudo que governa nossas vidas. No entanto, um erro ainda maior é afirmar que nada disso existe baseados em conclusões obtidas somente através dos nossos cinco limitadíssimos sentidos. A única resposta racional está, mais uma vez, na filosofia: a dúvida é a única certeza que temos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sofisma

3 comentários
Em processo de compra de uma casa, estive peregrinando recentemente por cartório de registro de imóveis, tabelionatos, CEEE, SANEP, Secretaria de Finanças Município, enfim, recebi uma dose cavalar de burocracia.

Aguardando atendimento no tabelionato, deparei-me com a denominada Prova Quádrupla do Rotary. É a seguinte:

"Prova Quádrupla do que nós PENSAMOS, DIZEMOS e FAZEMOS:
1 - é a VERDADE?
2 - é JUSTO para todos os interessados?
3 - Criará BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES?
4 - será BENÉFICO para todos os interessados?"

Como se vê, se trata de um código de conduta pensado para reger as relações humanas dentro e fora do Rotary. Assim, mesmo não sendo rotariano, me inclui nos destinatários do simpático rol e decidi que um post a respeito cairia bem.

À primeira vista, tudo parece bem razoável. Afinal, o que é verdadeiro, justo, benéfico e criador de boa vontade e de melhores amizades não pode ser ruim! Será?

Dentro do ambiente de trabalho (como era o caso do tabelionato), dentro de um relacionamento amoroso ou da nossa família, a prova quádrupla do Rotary pode ser tentadora. Afinal, diante de um quadro de crise em qualquer desses ambientes, o que a prova quádrupla nos diz é:

ESCONDA A SUJEIRA EMBAIXO DO TAPETE!

Colega de trabalho incompetente. Denuncio para o chefe? Não! (regra 3 e 4)
Desentendimento na família. Trato do assunto com clareza? Não! (regras 3 e 4)
O/a namorado/a me magoou. Converso e exponho os meus sentimentos? Não! (regras 3 e 4)
Se a tua atitude não vai redundar em BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES, esqueça! Se alguém será prejudicado (mesmo que seja aquele seu colega preguiçoso), nem pense nisso! Olha a regra 4!

Aprendi faz bem pouco tempo a encarar meus problemas relativamente às relações humanas de frente e (ao menos tentar) resolvê-los. É bem difícil quando a outra parte envolvida não pensa como eu, pois a tendência é encarar a minha manifestação como um ato hostilidade. A maioria das pessoas segue as quatro regras sem saber.

Buscando a paz imediata e fugindo de algumas aperezas próprias das soluções de conflitos, as pessoas sacrificam o bem-estar do relacionamento a longo prazo. Esconder as próprias emoções é a receita certa para uma relação rasa e sem futuro. A sinceridade, por outro lado, garante a segurança e a transparência necessárias ao sucesso das relações pessoais e contribui, e muito, para uma vida mais tranquila e feliz.

Assim, seja como cidadão, como membro de uma família, como marido ou como colega de trabalho, proponho que sigamos um só ensinamento ao invés de utilizar as quatro regras como filtro das nossas ações. E apresento o mesmo lema através de três diferentes fontes:

- não devemos fazer aos outros o que não queremos que eles nos façam. A ideia surge de um diálogo de Sócrates narrado por Platão na obra "A República";

- ama o próximo como a ti mesmo. Essa é fácil! É Jesus Cristo, expressamente ao sintetizar o Torá e tacitamente em quase todas as passagens dos evangelhos.

- age somente segundo uma máxima tal que possas querer que se torne lei universal. É uma das apresentações do imperativo categórico de Emanuel Kant.

Convenhamos: são três nomes de peso em épocas e lugares bem diferentes. E, mesmo assim, chegaram à mesma conclusão. Nada contra o Rotary, mas é impossível não se convencer. As conclusões de Sócrates-Platão e Kant são fruto de um intrincado processo de investigação racional. A de Jesus Cristo explicita, como disse, o conteúdo do Torá (acumulado através de gerações e gerações) e é apresentada com uma forte carga de sentimentalidade - falando, inclusive, em amor.

Esqueçamos, pois, o bom-mocismo falso e a sedutora superficiliadade! Que reine a honestidade e, ao seu lado, a justiça e o amor!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A invenção do Terror

7 comentários
Nasci sem time de futebol definido, sem orientação política, sem saber se gostava mais de verde ou de azul. A prova disso é que sou gremista e o meu pai colorado!

Entretanto, como boa parte dos brasileiros, eu nasci católico. É mais ou menos um default no Brasil - não havendo manifestação em contrário, nasceu mais um católico!

Pois bem. Batizado, seis anos de estudo em colégio confessional católico, catequese, primeira comunhão e... só. Não fiz a tal da crisma. Não casei na igreja. Não me confesso. Não comungo. Não sou padre e não pretendo receber extrema unção de ninguém! Dos sete sacramentos católicos só sobrou o batizado. A igreja católica perdeu por 6x1 - goleada.

O que aconteceu? Eu descobri as cruzadas, as fogueiras, os evangelhos apócrifos, as guerras santas, os santos-do-pau-oco - não necessariamente nessa ordem. Descobri que havia um sem número de outras religiões. Descobri a Filosofia e a História.

(Há uma piadinha bem eclética que cabe aqui:
"A guriazinha corre feliz até o seu pai e diz:
- Pai, nasceram os filhotinhos da minha cadelinha! São sete! Seis são ____________ (preencham como quiserem: católicos, comunistas, liberais, ateus, gremistas, filósofos)!
- Que beleza, filhinha! - respondeu o pai. Mas porque só seis são ___________? (de novo, à escolha)
- Porque um já abriu os olhos!")

A semente disso tudo foi plantada, no entanto, muito antes - e pela própria igreja. Quando bem criança ainda, aprendi no colégio que deveríamos amar Deus sobre tudo. Tudo. Tudo mesmo. Eu pensava, com a cabecinha dos inocentes e com medo de que Deus, se ouvisse meus pensamentos, me fulminasse imediatamente com um raio: de que me serve Deus se me for tirada a minha família?

Perguntei isso uma vez na aula de religião. A professora-freira me disse que era isso mesmo, era Deus sobre tudo. Tudo. E que, inclusive, havia uma historinha bem legal na Bíblia sobre o assunto:

Era uma vez Abraão, que tinha um filho muito amado que se chamava Isaac. Deus, um dia, não satisfeito com as provas de gratidão, temor, amor e devoção que lhe dava Abraão, decidiu que exigiria, como última prova de fé, que Abraão enganasse seu filho e o matasse! Abraão achou que era um pedido razoável, vindo de quem vinha e, assim, armou a cilada e estava pronto para matar seu filho querido. Vendo a cena, Deus se encheu de alegria e disse para Abraão que era tudo um teste e que, Parabéns!, ele havia passado (aqui há uma explicação razoável para o chocante episódio).

Pensei, então: quer dizer que se Deus quisesse eu, gurizinho de 10 ou 11 anos, teria que matar o meu pai ou a minha mãe como prova de fé e de amor? E pior, como prova de amor a um Deus capaz de fazer um pedido desse?! Não dá. Isso não entrou na minha cabeça até hoje - e, olhem, já tentaram me explicar.

Bem, foi o começo do fim de uma história que não deveria ter sequer começado.

Era aqui que eu queria chegar. A Bíblia é um texto repleto de histórias terrorosas (o neologismo não é meu - um dia eu explico). Sem o suspense e o talento do Edgar Allan Poe, é certo, mas bem potencialmente traumatizantes, especialmente para crianças.

Algumas delas me foram sonegadas nas aulas de evangelização, de modo que eu vim a descobri-las somente quando li a Bíblia por minha conta. Por certo, os padres, as catequistas e as professoras de religião teriam dificuldade de explicá-las e optaram por omiti-las.

No livro de Reis há um passagem bem terrível, ensinando as crianças a não zombar dos mais velhos, que cito para encerrar. Outras estão por vir, prometo.

Capítulo 2, versículos 23 e 24: Então subiu [Eliseu, o careca] dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Aula de História

4 comentários

Aprendi apenas duas coisas nas aulas de história com uma professora do 1° grau (então ensino fundamental):

- Mesopotâmia significa entre rios e é o nome de uma região do Oriente Médio, onde hoje está situado o Iraque; e

- Voltaire disse "posso não concordar com sequer uma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las".

Bem, isso resume satisfatoriamente os meus conhecimentos adquiridos naqueles três anos, historicamente falando. Eu sabia dizer uma frase de efeito - inclusive citando o autor, olha só - e poderia desenvolver uma pequena digressão etimológica, saindo de mesopotâmia para hipopótamo, em seguida para hipódromo, a seguir autódromo etc., enfim, demonstrando toda a minha cultura a sapiência. Minha professora havia cumprido seu papel.

Acontece que a minha formação acadêmica em história no 1° grau não era restrita às aulas de história. Ora, meu pai é graduado em história, tendo, inclusive, sido meu professor durante um ano, justamente antes dos três fatídicos anos mencionados. Esse fato foi responsável pela existência de um volumoso número de livros de história (didáticos ou não) na prateleira de livros da casa dos meus pais.

Bem, eu sempre fui um leitor razoável. Então, quando a Sessão da Tarde repetia algum filme eu me aventurava, em especial, no Gilberto Cotrim que o meu pai tinha. Era um livro didático bem legal.

Surpreendentemente, as duas informações que eu aprendi com a professora em questão repercutem, ainda hoje, na pessoa que sou. Etimologia é uma das grandes curiosidades que eu tenho - e acredito que o interesse tenha surgido justamente em torno da bendita Mesopotâmia. E o Voltaire, bem, o Voltaire merece um parágrafo só para ele.

O Voltaire, é bom que se esclareça, não disse a frase lá de cima. As aspas são para a minha professora. Vim a saber por meio da minha então namorada (atual esposa) que não, o Voltaire nunca havia dito ou escrito aquilo - trata-se, na verdade, de uma frase de um biógrafo buscando sintetizar o pensamento de Voltaire. A prova é o wikipedia, que nos dá razão. Menos um ponto para minha professora.

O Voltaire, eu dizia, me foi apresentado pra valer pela minha esposa quando éramos ainda muito novos. A ironia violenta dos seus textos me conquistou quase instantaneamente. Ele desmascara com um humor fino a verdade encoberta pelo véu da ignorância coletiva, principalmente no que toca à religião, à ética e à política.

Quando cogitei criar um blog, pensei: "e o nome?". Ora, os assunto sobre os quais tenho a intenção de escrever são bem variados, mas percebi uma constante: eu busquei começar a escrever para exercitar a minha crítica, essencialmente. E os textos críticos do Voltaire me marcaram muito. E, dentre esses textos, Micrômegas é um dos mais afiados e certamente o mais divertido.

Micrômegas - História Filosófica é um dos textos mais geniais do Voltaire, que tem como protagonista um viajante interplanetário de nome Micrômegas, oriundo de um planeta que orbita a estrela Sírio. É sensacional, realmente imperdível. Está disponível aqui.

Aí está. A história do nome do blog: MicromegasDeSirio.blogspot.com

Bem-vindos.